terça-feira, 2 de julho de 2013

MANIAS DE UMA LOJA DE SAPATOS

Carentes, preferimos prender quem não amamos. Ficamos com uma companhia apesar de não amar, para evitar sermos cobrados pelos pés descalços ou porque estamos sozinhos. Esperando o par perfeito enquanto usamos o que encontramos. O que veio na frente. O que tinha no estoque. 
Grande parte dos casais é ímpar. Vistosamente formando pares trocados, solteiros, improvisados. 
Quando compramos o que não gostamos, concluímos que "dá pro gasto". É uma expressão triste, inconsolável. O equivalente a lamentar que não tinha o que procurávamos. Gastamos o que não é nosso. Gastamos as pernas para justificarmos que permanecemos em movimento, tentando, ocupados. 
Os sapatos são nossas estradas. Não permitem desvios e atalhos, trocas e substituições. 
O amor começa pelos pés. Obsessivo. 
Não levei nada daquela loja. 


Por: Fabrício Carpinejar

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